quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Grounding, presença no corpo e a capacidade de nos dar apoio e segurança.

Aqui, no Ocidente, nós, muito em função da influência distorcida das religiões avessas ao feminino, esvaziamos nosso corpo de significado e profundidade, nós o vulgarizamos, gerando parte da sensação de vazio existencial com o qual tanto convivemos hoje em dia.
Pessoal, neste artigo, vamos caminhar pelo corpo e resgatar o conceito tão importante de que através dele e sua fabulosa bioquímica podemos elevar nosso padrão de vitalidade e nossa capacidade de nos sentirmos mais seguros e confiantes no mundo.
Espero que gostem!
Boa Leitura!


Nossa viagem começa falando do homem que, no ocidente, colocou o corpo em terapia: Wilhelm Reich.
Wilhelm Reich (1897-1957) foi um psicanalista austríaco, discípulo de Sigmund Freud que criou, a partir da Psicanálise uma nova abordagem terapêutica na qual, além das intervenções verbais, de fundamentação psicanalítica, também incluiu intervenções corporais.
Reich colocou o corpo em terapia. Suas pesquisas sobre a biopatia do câncer demonstraram como esta, e outras patologias, são engendradas num longo processo de desequilíbrio emocional e bioenergético. Reich foi um gênio, trabalhou com questões políticas, educacionais, energéticas ( através do conceito de energia orgônica ). Um revolucionário de sua época.
Foi, sem dúvida, um importante pioneiro no estudo dos fenômenos psicossomáticos.
Como judeu austríaco, em 1939, Reich mudou-se para os Estados Unidos a convite de Wolfe que, juntamente com sua esposa Francis Dunbar, e Franz Alexander, fundaram, a Sociedade Americana de Medicina Psicossomática.
A partir da década de 40 a Medicina Psicossomática oficial afastou-se de Reich, principalmente devido às perseguições políticas que ele passou a sofrer nos EUA. Desta forma, a Medicina Psicossomática não assimilou as descobertas posteriores de Reich, nem incorporou seus métodos terapêuticos, ficando assim desprovida de uma abordagem clínica própria.
Em função disso, o conhecimento reichiano evoluiu como uma especialidade terapêutica independente.

A partir de 1945 as descobertas de Reich se diversificaram, passando a abranger outros campos do conhecimento além da clínica, como a Puericultura, a Psicologia de Massas e a pesquisa experimental em Ciência Orgonômica, dentre outros.
Reich foi preso em 1957 e falece neste mesmo ano, de ataque cardíaco ( ?? ), na prisão.
Reich deixou seu legado.
Os vários discípulos e seguidores de Reich, na Europa e nos Estados Unidos, constituíram escolas e desenvolveram algumas abordagens terapêuticas que ganharam outras denominações. Dentre eles, vale destacar:
Alexander Lowen, aluno e paciente de Reich, conquistou notoriedade pelos diversos livros que escreveu, popularizando assim a abordagem da Psicoterapia Corporal. Lowen passou a denominá-la Bioenergética, embora esta corresponda, em essência, à abordagem original de Reich com algumas modificações nas técnicas de intervenção corporal.
Aqui no Brasil, temos José Angelo Gaiarsa como um dos principais nomes da Psicoterpia Corporal.
Estes grandes mestres da Psicologia trazem em comum a importância da relação com o corpo enquanto ponto focal de “nossa sensação de estar no mundo de forma segura e plena”, um conceito que hoje é também desenvolvido através do Mindfulness ( consciência plena ) e do Bodyscanning.
A forma como fomos cuidados enquanto bebês, o que aprendemos com o toque físico, o toque do olhar, o toque da voz, marca muito da tônica de relacionamento que desenvolvemos conosco, com nosso corpo e com o mundo que nos cerca. A ideia principal aqui é que a capacidade de fluir com a vida é inicialmente desenvolvida na dança de toques entre mãe e bebê. É através do nosso relacionamento com nossos cuidadores que aprendemos a nos relacionar com o mundo, interno e externo, de uma forma mais ou menos integrada, de uma forma mais ou menos saudável, de uma forma mais ou menos espontânea.
A beleza desta linha de trabalho é que o grande instrumento de transformação é o corpo, o corpo que temos conosco durante todos os momentos de nossa vida. Nosso corpo, substituindo o útero de nossa mãe, é o nosso grande ponto de grounding, de aterramento, de segurança em estar no mundo e é através do resgate desta consciência que podemos nos curar gradativamente.
A sensação de estar inserido em, estar contido por, estar aparado por é fundamental neste processo. É como se saíssemos do colo do útero, passássemos pelo colo da mãe, e desenvolvêssemos o colo do corpo e nos conectássemos com o colo do Universo.
Dentro deste conceito, o desenvolvimento do grounding faz com que sintamos nosso corpo vivo e pulsante e, talvez este nem seja o principal problema porque, como disse Keleman “ todo mundo busca vida, todo mundo quer estar mais vivo. O que não levamos em conta é que temos que aprender a suportar o fato de estarmos mais vivos, assimilá-lo e permitir que uma carga energética atravesse o corpo”.
Então... vc topa SER MAIS ? Ser o seu corpo, em plena compreensão do que isso significa: permitir-se identificar-se com sua vida totalmente sem nenhuma necessidade de divisão, porque seu corpo não está fragmentado ?
Isso se chama emponderamento, de ter os pés bem firmes e apoiados no chão, tanto física como simbolicamente. É a base que te dá segurança para fazer mudanças, expressar opiniões, olhar nos olhos e colocar limites sem ter que pedir desculpas por existir. É a base fundamental para a autonomia emocional.
Ancestralidade, conexão com Gaia, a sensação de pertencimento também estão relacionadas ao grounding. O próprio processo psicoterápico pode ser considerado, em última análise, com um grande processo de grounding, de aterramento, de firmar-se sobre as próprias pernas.
Para Lowen, a pessoa grounded sabe onde está e, portanto, sabe quem é, tem seu lugar, é alguém. Neste sentido, está identificado com seu corpo, ciente de sua sexualidade e orientado para o prazer.
Lowen nos diz que “O crescimento é um processo natural, sua lei é comum a todos os seres vivos. Uma árvore, por exemplo, cresce para cima se sua raiz cresce para o centro da terra. Nós aprendemos com o estudo do passado. Sendo assim, uma pessoa, só pode crescer, se firmar suas raízes em seu passado. E o passado de uma pessoa é seu corpo”.
Quando buscamos o autodesenvolvimento, estamos colocando em contato duas partes de nós: a parte que se sente segura e “capaz de” com a parte que se sente sem apoio e sem pertencimento.
Num nível mais amplo, e de acordo com um dos autores em Bioenergética ( Pierrakos ), não há como desenvolver a verdadeira espiritualidade sem que se tenha desenvolvido a saudável capacidade de aterramento, pois do contrário, parecerá mais como uma forma de não se manter em contato com a realidade, como espíritos sem corpo, sem a capacidade de atuar na Terra.
E de forma prática, como isto pode ser feito? Como posso trabalhar com o meu corpo para que eu me transforme ?
Não é tão difícil assim !
A linha mestra é deixe o corpo fluir, dê a ele espaço para que se expresse de maneira livre. É como se vc estivesse dando espaço para sua criança existir, porque é disto que ela precisa para se sentir “grounded”, apoiada e segura. Brinque com ela através do seu corpo. Dance com as mãos, experimente os pés, sinta-os numa caminhada, alongue-se, espreguice-se, respire.
Observe a beleza simbólica que há no movimento da respiração: vc inicia no vazio criativo, absorve, enche-se de uma ideia, torna-se pleno até não aguentar mais e então passa a expor essa plenitude no mundo, até ficar vazio novamente, para uma nova etapa.
A tagarelice impede a respiração e a respiração presa impede o desenvolvimento da nossa inteligência e de nossa capacidade de estar em contato com nossas emoções. Prestar atenção a respiração nos coloca em contato conosco mesmos e é essa consciência que nos coloca no movimento criativo da mudança.
O que importa aqui ?
Que vc passe a se olhar com vida e passar a se dizer “sim, eu posso !”. E vc pode  mesmo !!!
Preste atenção em quem vc é e saiba que nosso corpo é tão bioquimicamente complexo e rico que se torna diferente a cada segundo. Como então podemos achar que temos que ser sempre da mesma forma imposta que nos foi colocada ?
Se vc impede o seu corpo de se movimentar de forma criativa, vc impede seu cérebro de criar novas conexões neuronais. Qual o impacto disso ? Ver a vida sempre da mesma forma, ter sempre os mesmos pensamentos tóxicos de baixa autoestima, de autopunição e de impotência.
Em termos de corpo energético, há em nós um centro de força chamado Hara, este é o termo dado pelos japoneses para se referirem à parte inferior da barriga e também à qualidade de quem possui força, energia e poder concentrados. O Hara é um centro de poder espiritual e energético que pode funcionar como uma grande bateria acumuladora de energia.
Na região o Hara, na parte inferior do abdômen, há o Tan Tien, ponto focal do Hara e também considerado com centro de gravidade de todo o corpo e portanto, nosso centro de equilíbrio.
Barbara Brennan escreveu sobre ele em seu livro “Luz Emergente – A Jornada da Cura Pessoal”. Através das palavras de Heyoan, ela nos diz que “o Hara existe numa dimensão mais profunda do que o campo áurico. Ele existe no nível da intencionalidade. Trata-se de uma área de poder dentro do corpo físico que contém o tan tien. Foi com esta nota que vc puxou o seu corpo físico a partir da Mãe Terra. É essa nota que torna possível a manifestação física do seu corpo. Sem essa nota, vc não teria um corpo. Quando vc muda essa nota, todo o seu corpo vai mudar. Seu corpo é uma forma gelatinosa que se mantem unida por meio dessa nota. Essa nota é o som que o centro da Terra produz.”
Portanto, aterrar-se no corpo, ter energia e foco estão necessariamente atrelados a estar conectados com Gaia, além de termos um Tan Tien saudável e brilhante.
No próximo artigo, vamos explorar detalhadamente o conceito de Hara para, então, trabalhar sobre exercícios de fortalecimento do Tan Tien, alinhamento do Hara, elevação do nível de energia do corpo e a meditação de encontro com Gaia.
O objetivo é que, através da disciplina, consiga elevar seu nível de energia vital e a sua capacidade de estar no mundo de forma plena e produtiva.
Está comigo ?
Então nos vemos no próximo artigo !
Bjs !


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