Aqui, no Ocidente, nós, muito em função da influência
distorcida das religiões avessas ao feminino, esvaziamos nosso corpo de
significado e profundidade, nós o vulgarizamos, gerando parte da sensação de
vazio existencial com o qual tanto convivemos hoje em dia.
Pessoal, neste artigo, vamos caminhar pelo corpo e resgatar o
conceito tão importante de que através dele e sua fabulosa bioquímica podemos
elevar nosso padrão de vitalidade e nossa capacidade de nos sentirmos mais
seguros e confiantes no mundo.
Espero que gostem!
Boa Leitura!
Nossa viagem começa falando do homem que, no ocidente,
colocou o corpo em terapia: Wilhelm Reich.
Wilhelm Reich (1897-1957) foi um psicanalista austríaco,
discípulo de Sigmund Freud que criou, a partir da Psicanálise uma nova
abordagem terapêutica na qual, além das intervenções verbais, de fundamentação
psicanalítica, também incluiu intervenções corporais.
Reich colocou o corpo em terapia. Suas pesquisas sobre a
biopatia do câncer demonstraram como esta, e outras patologias, são engendradas
num longo processo de desequilíbrio emocional e bioenergético. Reich foi um
gênio, trabalhou com questões políticas, educacionais, energéticas ( através do
conceito de energia orgônica ). Um revolucionário de sua época.
Foi, sem dúvida, um importante pioneiro no estudo dos
fenômenos psicossomáticos.
Como judeu austríaco, em 1939, Reich mudou-se para os
Estados Unidos a convite de Wolfe que, juntamente com sua esposa Francis
Dunbar, e Franz Alexander, fundaram, a Sociedade Americana de Medicina
Psicossomática.
A partir da década de 40 a Medicina Psicossomática oficial
afastou-se de Reich, principalmente devido às perseguições políticas que ele
passou a sofrer nos EUA. Desta forma, a Medicina Psicossomática não assimilou
as descobertas posteriores de Reich, nem incorporou seus métodos terapêuticos,
ficando assim desprovida de uma abordagem clínica própria.
Em função disso, o conhecimento reichiano evoluiu como uma
especialidade terapêutica independente.
A partir de 1945 as descobertas de Reich se diversificaram, passando a abranger outros campos do conhecimento além da clínica, como a Puericultura, a Psicologia de Massas e a pesquisa experimental em Ciência Orgonômica, dentre outros.
Reich foi preso em 1957 e falece neste mesmo ano, de ataque
cardíaco ( ?? ), na prisão.
Reich deixou seu legado.
Os vários discípulos e seguidores de Reich, na Europa e nos
Estados Unidos, constituíram escolas e desenvolveram algumas abordagens
terapêuticas que ganharam outras denominações. Dentre eles, vale destacar:
Alexander Lowen, aluno e paciente de Reich, conquistou
notoriedade pelos diversos livros que escreveu, popularizando assim a abordagem
da Psicoterapia Corporal. Lowen passou a denominá-la Bioenergética, embora esta
corresponda, em essência, à abordagem original de Reich com algumas
modificações nas técnicas de intervenção corporal.
Aqui no Brasil, temos José Angelo Gaiarsa como um dos
principais nomes da Psicoterpia Corporal.
Estes grandes mestres da Psicologia trazem em comum a
importância da relação com o corpo enquanto ponto focal de “nossa sensação de
estar no mundo de forma segura e plena”, um conceito que hoje é também
desenvolvido através do Mindfulness ( consciência plena ) e do Bodyscanning.
A forma como fomos cuidados enquanto bebês, o que aprendemos
com o toque físico, o toque do olhar, o toque da voz, marca muito da tônica de
relacionamento que desenvolvemos conosco, com nosso corpo e com o mundo que nos
cerca. A ideia principal aqui é que a capacidade de fluir com a vida é
inicialmente desenvolvida na dança de toques entre mãe e bebê. É através do
nosso relacionamento com nossos cuidadores que aprendemos a nos relacionar com
o mundo, interno e externo, de uma forma mais ou menos integrada, de uma forma
mais ou menos saudável, de uma forma mais ou menos espontânea.
A beleza desta linha de trabalho é que o grande instrumento
de transformação é o corpo, o corpo que temos conosco durante todos os momentos
de nossa vida. Nosso corpo, substituindo o útero de nossa mãe, é o nosso grande
ponto de grounding, de aterramento, de segurança em estar no mundo e é através
do resgate desta consciência que podemos nos curar gradativamente.
A sensação de estar inserido em, estar contido por, estar
aparado por é fundamental neste processo. É como se saíssemos do colo do útero,
passássemos pelo colo da mãe, e desenvolvêssemos o colo do corpo e nos
conectássemos com o colo do Universo.
Dentro deste conceito, o desenvolvimento do grounding faz
com que sintamos nosso corpo vivo e pulsante e, talvez este nem seja o
principal problema porque, como disse Keleman “ todo mundo busca vida, todo
mundo quer estar mais vivo. O que não levamos em conta é que temos que aprender
a suportar o fato de estarmos mais vivos, assimilá-lo e permitir que uma carga
energética atravesse o corpo”.
Então... vc topa SER MAIS ? Ser o seu corpo, em plena
compreensão do que isso significa: permitir-se identificar-se com sua vida totalmente
sem nenhuma necessidade de divisão, porque seu corpo não está fragmentado ?
Isso se chama emponderamento, de ter os pés bem firmes e
apoiados no chão, tanto física como simbolicamente. É a base que te dá
segurança para fazer mudanças, expressar opiniões, olhar nos olhos e colocar
limites sem ter que pedir desculpas por existir. É a base fundamental para a
autonomia emocional.
Ancestralidade, conexão com Gaia, a sensação de
pertencimento também estão relacionadas ao grounding. O próprio processo
psicoterápico pode ser considerado, em última análise, com um grande processo
de grounding, de aterramento, de firmar-se sobre as próprias pernas.
Para Lowen, a pessoa grounded sabe onde está e, portanto,
sabe quem é, tem seu lugar, é alguém. Neste sentido, está identificado com seu
corpo, ciente de sua sexualidade e orientado para o prazer.
Lowen nos diz que “O crescimento é um processo natural, sua
lei é comum a todos os seres vivos. Uma árvore, por exemplo, cresce para cima
se sua raiz cresce para o centro da terra. Nós aprendemos com o estudo do
passado. Sendo assim, uma pessoa, só pode crescer, se firmar suas raízes em seu
passado. E o passado de uma pessoa é seu corpo”.
Quando buscamos o autodesenvolvimento, estamos colocando em
contato duas partes de nós: a parte que se sente segura e “capaz de” com a
parte que se sente sem apoio e sem pertencimento.
Num nível mais amplo, e de acordo com um dos autores em
Bioenergética ( Pierrakos ), não há como desenvolver a verdadeira
espiritualidade sem que se tenha desenvolvido a saudável capacidade de
aterramento, pois do contrário, parecerá mais como uma forma de não se manter
em contato com a realidade, como espíritos sem corpo, sem a capacidade de atuar
na Terra.
E de forma prática, como isto pode ser feito? Como posso
trabalhar com o meu corpo para que eu me transforme ?
Não é tão difícil assim !
A linha mestra é deixe o corpo fluir, dê a ele espaço para
que se expresse de maneira livre. É como se vc estivesse dando espaço para sua
criança existir, porque é disto que ela precisa para se sentir “grounded”,
apoiada e segura. Brinque com ela através do seu corpo. Dance com as mãos,
experimente os pés, sinta-os numa caminhada, alongue-se, espreguice-se,
respire.
Observe a beleza simbólica que há no movimento da respiração:
vc inicia no vazio criativo, absorve, enche-se de uma ideia, torna-se pleno até
não aguentar mais e então passa a expor essa plenitude no mundo, até ficar
vazio novamente, para uma nova etapa.
A tagarelice impede a respiração e a respiração presa impede
o desenvolvimento da nossa inteligência e de nossa capacidade de estar em
contato com nossas emoções. Prestar atenção a respiração nos coloca em contato
conosco mesmos e é essa consciência que nos coloca no movimento criativo da
mudança.
O que importa aqui ?
Que vc passe a se olhar com vida e passar a se dizer “sim,
eu posso !”. E vc pode mesmo !!!
Preste atenção em quem vc é e saiba que nosso corpo é tão
bioquimicamente complexo e rico que se torna diferente a cada segundo. Como
então podemos achar que temos que ser sempre da mesma forma imposta que nos foi
colocada ?
Se vc impede o seu corpo de se movimentar de forma criativa,
vc impede seu cérebro de criar novas conexões neuronais. Qual o impacto disso ?
Ver a vida sempre da mesma forma, ter sempre os mesmos pensamentos tóxicos de
baixa autoestima, de autopunição e de impotência.
Em termos de corpo energético, há em nós um centro de força
chamado Hara, este é o termo dado pelos japoneses para se referirem à parte
inferior da barriga e também à qualidade de quem possui força, energia e poder
concentrados. O Hara é um centro de poder espiritual e energético que pode
funcionar como uma grande bateria acumuladora de energia.
Na região o Hara, na parte inferior do abdômen, há o Tan
Tien, ponto focal do Hara e também considerado com centro de gravidade de todo
o corpo e portanto, nosso centro de equilíbrio.
Barbara Brennan escreveu sobre ele em seu livro “Luz
Emergente – A Jornada da Cura Pessoal”. Através das palavras de Heyoan, ela nos
diz que “o Hara existe numa dimensão mais profunda do que o campo áurico. Ele
existe no nível da intencionalidade. Trata-se de uma área de poder dentro do
corpo físico que contém o tan tien. Foi com esta nota que vc puxou o seu corpo
físico a partir da Mãe Terra. É essa nota que torna possível a manifestação física
do seu corpo. Sem essa nota, vc não teria um corpo. Quando vc muda essa nota,
todo o seu corpo vai mudar. Seu corpo é uma forma gelatinosa que se mantem
unida por meio dessa nota. Essa nota é o som que o centro da Terra produz.”
Portanto, aterrar-se no corpo, ter energia e foco estão
necessariamente atrelados a estar conectados com Gaia, além de termos um Tan
Tien saudável e brilhante.
No próximo artigo, vamos explorar detalhadamente o conceito
de Hara para, então, trabalhar sobre exercícios de fortalecimento do Tan Tien,
alinhamento do Hara, elevação do nível de energia do corpo e a meditação de
encontro com Gaia.
O objetivo é que, através da disciplina, consiga elevar seu
nível de energia vital e a sua capacidade de estar no mundo de forma plena e
produtiva.
Está comigo ?
Então nos vemos no próximo artigo !
Bjs !

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