quinta-feira, 9 de março de 2017

O que é a Disfunção Temporomandibular ( DTM ) ?

DTM e stress vem sendo bem documentada pela literatura científica e, não é novidade para ninguém, que os níveis sociais de stress vem aumentando, impactando, portanto, na probabilidade de uma pessoa apresentar quadro clínico de DTM.
Bem... este artigo tem por objetivo falar sobre o que é a Disfunção Temporomandibular, através de uma linguagem acessível e integrativa, através da qual, os aspectos comportamentais são considerados como parte do processo de cura da disfunção. 
Ao final, falaremos também sobre formas não invasivas de tratamento da disfunção.
Se houver dúvidas, há o formulário no blog através do qual vc poderá mandar sua mensagem ou sua dúvida, ok ?
Boa leitura !


O que é a DTM ?
DTM é a sigla para Disfunção Temporomandibular ou Disfunção da Articulação Temporomandibular. Disfunção da ATM, como também se vê na literatura.
O que é a ATM ?
A ATM é a articulação formada pelo osso temporal (do crânio) e o osso da Mandibula, e um disco articular que diminui o atrito na superfície onde esses ossos se encontram. Vc a sente nitidamente quando abre e fecha a boca. Portanto, a ATM é a articulação que nos permite movimentar a nossa boca.
Daí já se consegue imaginar a importância que a ATM tem, simplesmente porque usamos a boca para comer, falar, beijar, morder, tomar mamadeira, beber água, tomar um suco. A importância da ATM no nosso cotidiano é enorme, por isso, quando ela não está bem, parece que tudo o mais em nós não está.
Não temos apenas a articulação em si na ATM, mas temos também os músculos que movimentam esta articulação. São principalmente três:
·        O Temporal: e muito exigido quando roemos as unhas. Podemos ter até dor de cabeça muscular porque temos o hábito de ficar roendo unhas ou a ponta do lápis...
·        O Masseter: que é muito exigido quando ficamos apertando os dentes ( dia ou de noite )
·        O Pterigoedeo Medial que nos ajuda a jogar a mandíbula para frente
·        O Pterigoedeo Lateral que nos ajuda a movimentar a mandíbula para os lados.

A DTM pode ser de origem muscular, em 80% dos casos, ou de origem articular, em aproximadamente 20% dos casos. O mais comum é encontrarmos as duas associadas.
A DTM muscular, para vc ter uma ideia, é como se vc tivesse ido à academia, malhado muito e no dia seguinte mal conseguisse se movimentar.
O princípio é o mesmo: a musculatura está sendo intensamente exigida e sem tempo para relaxamento, fazendo com que o músculo fique inflamado, o que dá a sensação de dor.
Essa dor pode ser sentida como uma queimação, um peso ou uma tensão, podendo até travar de uma vez, como que o músculo dizendo: “Greve! Não me movimento mais até vc me dar descanso...”
O uso excessivo da musculatura está normalmente associado a hábitos para funcionais ( apertamento, bruxismo, marcar chicletes, roer unhas, etc. ).
A DTM de origem articular está relacionada a deformações do disco ou menisco ou então com deformações do côndilo mandibular. Aqui estão normalmente os casos de travamento da mandíbula: casos em que o disco não reduz – ou seja não volta para o lugar correto dele, impedindo que a mandíbula se feche. Nestes casos, é preciso procurar imediatamente um Dentista que fará uma manobra específica de reposicionamento do disco e a indicação de tratamento para que isso não volte a acontecer.
Normalmente através de massagem o quadro regride no mesmo dia. É mais assustador do que grave.
A DTM é considerada como subgrupo da dor orofacial ( dores no rosto e dores de cabeça e pescoço ). Em função disso, a realização do diagnóstico diferencial do tipo de dor é extremamente importante para que se tenha assertividade no diagnóstico e objetividade no tratamento. Este nível de conhecimento técnico diferencia também o profissional de odontologia.
Em termos de epidemiologia, é preciso considerar que estimar o número preciso de pessoas que portem disfunção da ATM é difícil já que nem todas procuram o tratamento correto até mesmo em função da confusão de sintomas com outras doenças.
Mas em linhas gerais, estima-se de 25% da população sofra com DTM, sendo que apenas 5% deve procurar tratamento e destes, apenas 5% são casos de real indicação cirúrgica.
A incidência é maior sobre mulheres na faixa dos 20 aos 50 anos de idade.

Vale a pena fazer uma diferenciação: o Bruxismo não é DTM, mas pode levar sim a um caso de DTM.
Os sintomas de Bruxismo são;
·        Dentes estão desgastados, danificados ou sensíveis
·        Dor na mandíbula, na face ou nos ouvidos
·        Ranger de dentes
·        Apertar os dentes
·        A mandíbula não abre e fecha completamente

Na DTM, os sintomas podem se ampliar um pouco mais:
·        Capacidade limitada para abrir a boca
·        Maxilar “preso” na posição de boca fechada ou aberta
·        Sons perto do ouvido quando se movimenta a mandíbula ( abrindo ou fechando a boca ). Esses sons podem parecer com clics, ou sons de coisa que atrita.
·        Zunido no ouvido ou tontura cuja origem não está relacionada a labirintite
·        Sensação de cansaço no rosto
·        Dificuldade para mastigar
·        Inchaço do lado da face
·        Dor de cabeça que não esteja relacionada a outras patologias
·        Dor de dente que não esteja relacionada a outras patologias
O profissional de Odontologia está habilitado a fazer o diagnóstico diferencial, principalmente para quadros que envolvam a dor de cabeça , dores que parecem queimar, zunido e tontura. Profissionais de Fono, Fisio e Psicologia desempenham importante papel no tratamento da disfunção em função de seu caráter multifatorial.
Agora, vamos a boa notícia : apenas 5% dos casos de DTM são realmente operáveis ! A grande maioria dos casos é passível de solução com uma abordagem integrativa/sistêmica, onde a necessidade cirúrgica ou de uso de medicamentos alopáticos é bastante reduzida.
Na verdade, nunca se deve tentar tratamentos de DTM mais invasivos sem que antes não se tenha tentado procedimentos não-invasivos. Saiba de uma coisa: a literatura médica não é conclusiva a respeito de tratamentos invasivos de DTM ( e aqui leia-se tratamentos cirúrgicos ). Entendido ?

Como funciona o tratamento conservador da DTM ?
O conceito e as etapas de tratamento não invasivo estão baseados na própria capacidade do organismo de autorrecuperação, bem como nos processos fisiológicos de dor;
É subdividido em duas etapas principais: analgesia e a limpeza do músculo, num primeiro momento, e recuperação e fortalecimento a ATM afetada num segundo momento.
Em linhas gerais, o processo envolve termoterapia ( frio e calor ), massagem autoaplicada e exercícios orientados de fisioterapia oral.
A termoterapia é um dos pontos principais de tratamento e, sabe-se que o gelo, por si só, já funciona como analgésico. Ele contrai veias e artérias, represando o sangue. Com a massagem, estimula-se a circulação sanguínea e induz a musculatura ao relaxamento. Com o calor, aumenta-se repentinamente o fluxo de oxigênio e cálcio, desintoxicando o músculo das substâncias algógenas. Com os exercícios de fisio, recoordena-se a musculatura, alinhando seu movimento e seu balanceio correto.
Atenção: nunca se deve usar o tratamento com gelo se houver lepra, em pacientes diabéticos ou com a doença de Raynaud ( Condição em que algumas áreas do corpo ficam dormentes e frias em certas circunstâncias.) 
E nunca utilize o tratamento com calor se há suspeita de câncer ou há foco de pus. 
Em pessoas disciplinadas e que seguem as indicações terapêuticas conforme indicado pelo profissional de saúde, normalmente as dores regridem no primeiro mês de tratamento e de forma gradual. 
E... vamos combinar que o custo é bem acessível: gelo, automassagem e bolsa de água quente !
Através das terapias complementares ( EFT, florais alquímicos,  Homeopatia, psicoterapia ), o paciente aprende a gerenciar a dor física e, simultaneamente, desmobiliza-se os gatilhos emocionais que  levam aos hábitos parafuncionais, tensão muscular, inibição da expressão verbal da emoção e à DTM, diminuindo a probabilidade de uma recidiva.
Não obstante, a experiência clínica mostra que a probabilidade de recidiva é maior em pacientes com quadro depressivo, demandando portanto, um cuidado maior no tratamento.
Interessante ver que pacientes com DTM apresentam aspectos comportamentais semelhantes aos pacientes com fibromialgia, tendo como eixo comum o perfeccionismo.
Mas esse é assunto para um próximo artigo.... e vc poderá acessá-lo neste blog também.
Espero ter ajudado !
Reforçando, se tiver dúvidas, escreva-me.

Um grande beijo !


Salma

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